Como a calculadora descobre a taxa de juros
Em empréstimos e financiamentos com parcelas fixas, a parcela é calculada pela Tabela Price a partir de três números: o valor contratado, a quantidade de parcelas e a taxa de juros. Quem tem o contrato em mãos conhece os dois primeiros e o valor da parcela, então dá para fazer a conta ao contrário e descobrir a taxa. É o mesmo cálculo da Calculadora do Cidadão, do Banco Central.
A fórmula é: parcela = valor contratado × i ÷ (1 − (1 + i)^−n), em que i é a taxa ao mês e n é a quantidade de parcelas. A calculadora testa taxas até encontrar a que faz a conta fechar com a parcela que você paga.
Exemplo de cálculo
Um empréstimo de R$ 10.000,00 pago em 48 parcelas de R$ 330,00 tem taxa de juros de 2,06% ao mês, ou 27,72% ao ano. No fim do contrato a pessoa paga R$ 15.840,00, sendo R$ 5.840,00 só de juros.
Taxa ao mês e taxa ao ano não se convertem multiplicando por 12
Os juros de cada mês incidem sobre os juros dos meses anteriores. Por isso a taxa anual é (1 + taxa mensal)^12 − 1: uma taxa de 2% ao mês equivale a 26,82% ao ano, e não a 24%. O Código de Defesa do Consumidor obriga o banco a informar a taxa efetiva anual de juros antes da contratação.
O resultado é a taxa de juros ou o CET?
Depende do valor que você informar. Se usar o valor total financiado que aparece no contrato, o resultado se aproxima da taxa de juros. Se usar o valor que de fato caiu na sua conta, depois de descontados IOF, tarifas e seguros, o resultado se aproxima do Custo Efetivo Total (CET), que é o custo completo da operação.
Compare o resultado com as taxas escritas no contrato. Uma diferença grande pode indicar cobranças embutidas que você não percebeu.
Quando o cálculo é só uma aproximação
A conta considera parcelas iguais e mensais, com a primeira paga um mês depois da contratação. Contratos com carência, parcelas que mudam de valor (como a tabela SAC do financiamento imobiliário) ou parcelas pagas antes do prazo dão um resultado aproximado.
Perguntas frequentes
Onde encontro a taxa de juros no meu contrato?
O contrato e a proposta de crédito devem trazer a taxa de juros ao mês, a taxa ao ano e o Custo Efetivo Total (CET). Se você não tem o contrato, peça uma cópia ao banco pelos canais de atendimento.
A calculadora serve para consignado e financiamento de veículo?
Sim. Ela funciona para qualquer operação paga em parcelas mensais fixas: empréstimo pessoal, consignado do INSS ou de servidor, financiamento de veículo e crédito direto ao consumidor.
O resultado deu diferente do contrato. O que isso significa?
Diferenças pequenas vêm de arredondamento ou da data da primeira parcela. Diferenças grandes costumam indicar IOF, tarifas ou seguros incluídos no valor financiado, o que aproxima o resultado do CET. Nesses casos vale conferir se a taxa é abusiva e se houve venda casada.
Uma taxa de juros alta é sempre abusiva?
Não automaticamente. O Superior Tribunal de Justiça entende que os juros são abusivos quando ficam muito acima da taxa média de mercado para a mesma modalidade de crédito, no mesmo período. Por isso o passo seguinte é comparar a sua taxa com a média divulgada pelo Banco Central.
Os dados que eu digito ficam salvos?
Não. O cálculo é feito no seu próprio navegador e nenhum dado do formulário é enviado ao site.
Fontes oficiais
- Banco Central: Calculadora do Cidadão
- Banco Central: taxas de juros por instituição financeira
- Código de Defesa do Consumidor, artigo 52
Veja também: como identificar e tirar os juros abusivos do financiamento.